Introdução à Astrologia Mundial 1#

planisfério com marcações

No livro II Da obra Tetrabiblos, Ptolomeu lança as bases daquilo a que hoje se chama a Astrologia Mundial, relativa aos países e aos acontecimentos no mundo

Na introdução ao livro II, Ptolomeu faz uma articulação entre os signos e os países que estes regem, baseando-se na ideia que que os planetas e os signos, bem como as estrelas fixas situadas nas mesmas partes do Zodíaco  têm familiaridade com os países com os quais partilham características semelhantes.

Por pura curiosidade,, porque a geografia política mudou desde a época em que o autor viveu, deixamos aqui a lista com as referências do mundo antigo (século 2 da nossa era):

Signos e Regência dos Países

Carneiro: Bretanha, Gália, Germânia, Bastarnia; no centro, Coel, Síria, Palestina, Idumeia, Judeia.

Touro: Partia, Média, Pérsiano centro as Cíclades, Chipre, a região costeira da  Ásia Menor.

Gémeos: Hyrcania, Arménia, Matiana; no centro, Cirenaica, Marmarica, Baixo Egipto.

Caranguejo: Numídia, Cartago, África; no centro, Bitínia, Frígia , Colchica.

Leão: Itália, Gália Cisalpina, Sicília, Apúlia; no centro  Fenícia, Caldeia, Orchenia.

Virgem: Mesopotâmia, Babilónia, Assíria; no centro Hellas, Achaia, Creta.

Balança: Bactriana, Caspéria, Sericano centro, Tebas, Oasis, Troglodítica.

Escorpião: Metagonitis, Mauritânia, Getúlia; no centro, Síria, Commagenê, Capadócia.

Sagitário: Tirrénia, Celtica, Espanha; no centro, Arábia Felix.

Capricórnio: India, Ariana, Gedrósia; no centro, Trácia, Macedónia, Líria.

Aquário: Sauromática, Oxiana, Sogdiana; no centro, Aráhia, Azânia, Etiópia Média.

Peixes: Fazânia, Nasamonitis, Garamântica; no centro, Lídia, Cilícia, Pamfília.

Ptolomeu afirma ainda que as grandes cidades metropolitanas têm mais afinidade com o Sol e a Lua. E lança as bases para a Astrologia Mundial ao considerar que, quando não se conhece a data de fundação de um país, deve usar-se a data do rei que, ao tempo da fundação do país o governou.

Procedimentos para Efetuar Previsões

Em primeiro lugar, Ptolomeu estabelece os limites ou alcance destas previsões, afirmando que este se refere aos países e governo das cidades.

Primeiro ponto a considerar: as conjunções do Sol e da Lua nos eclipses e o movimento dos planetas na mesma altura. Estes são os indicadores principais dos grandes acontecimentos.

Pode proceder-se de forma regional /mundial, vendo quais os países e cidades que serão principalmente afetados nos eclipses previstos, tendo em conta as «estações» (um planeta tem uma estação – fica «estacionário»- antes de mudar de movimento direto para movimento retrógrado e novamente, antes de regressar ao movimento direto) dos planetas Saturno, Júpiter e Marte.

Depois há um outro passo que é cronológico: neste passo fazem-se as previsões dos efeitos e do momento em que ocorrerão.

Finalmente há também uma parte das previsões que é genérica que é a classificação dos tipos de eventos que podem ocorrer.

E, por último, há um aspeto específico, no qual se caracteriza o evento principal que irá ocorrer.

Determinação dos Países Afetados

Esta é a parte da análise que Ptolomeu designa por «regional»: deve observar-se qual a região do Zodíaco na qual os eclipses do Sol e da Lua ocorrem e, seguidamente, ver quais os países do mundo que têm afinidade com essa região do Zodíaco de acordo com a lista que referimos atrás.

Do mesmo modo pode saber-se de duas formas quais serão  as cidades afetadas: através do horóscopo da sua fundação  e da posição do Sol e da Lua nesse horóscopo. Ou, quando não se sabe a data exata da fundação, a partir do Meio do céu do governante que, nessa ocasião, governou a cidade.

Se o meio do céu da carta de fundação coincidir com o signo em que se dá o eclipse, a cidade ou o país, conforme o caso, serão afetados, devendo considerar-se que os países nos quais o eclipse é visível também serão afetados.

Análise dos Eventos , sua Duração e Ocorrência

Esta é a análise cronológica dos eventos. Em primeiro lugar deve ter-se em conta que os eclipses não têm a mesma duração em todos locais em que são visíveis, também não têm a mesma intensidade nem ocorrem ao mesmo tempo.

Assim, em primeiro lugar há que determinar, para os locais determinados, a hora do eclipse, a sua duração e intensidade (total, parcial, obscurecimento). É preciso fazer o mesmo para as diversas latitudes, em relação ao polo, desenhando círculos como se faz para a natividade. Assim, faz-se o cálculo  astronómico da duração de horas equinociais do eclipse em cada localidade.

Para facilitar a compreensão veja-se a seguinte imagem, na qual são visíveis os dois polos celestes norte e sul bem como a linha do equador celeste. De acordo com os pontos cardeais, é possível desenhar círculos nas várias latitudes, determinando-se assim  em que ponto se dá o eclipse em causa.

Os pontos solsticiais e  os pontos equinociais são igualmente desenhados para o efeito. É claro que, nos tempos de Ptolomeu, um dos maiores astrónomos do seu tempo, o astrólogo tinha que, em primeiro lugar, ser um astrónomo mas, felizmente, isso hoje não é necessário: temos a localização exata de qualquer eclipse diretamente publicada nas efemérides ou num bom software de astrologia.

É com base no cálculo das horas equinociais que se fará a previsão da duração dos eventos: se se tratar de um eclipse solar, o evento durará tantos anos quantas as horas equinociais encontradas.

Se for um eclipse lunar, o evento durará tantos meses quantas as horas equinociais encontradas.

Mas, para inferir acerca da natureza  e intensidade dos eventos era preciso  determinar a localização do eclipse em relação aos círculos da eclíptica que correspondem aos eixos da carta astrológica.

Assim, quando o eclipse se dá no horizonte Este, o início dos eventos será 4 meses a partir do elipse e estes serão mais intensos no primeiro terço da duração de todo o período.

Se o eclipse se dá no meio do céu, os eventos terão início no segundo período de 4 meses a partir do eclipse e serão mais intensos na segunda terça parte de todo o período de duração.

Se o eclipse se dá no horizonte oeste, os eventos terão lugar no 3º período de 4 meses a partir da data do eclipse e serão mais intensos no último terço da sua duração total.

Para sabermos o início de uma intensificação ou de um aligeiramento dos eventos previstos na astrologia mundial, vemos as conjunções que ocorrem entretanto., desde que estas se deem nas regiões em causa e formem aspetos com os signos envolvidos.

Os movimentos dos planetas também ajudam a perceber esses momentos de intensificação dos eventos ou da redução da sua força, se estiverem relacionados com o evento previsto .

Deve observar-se se esses planetas estão a levantar-se ou a pôr-se ou se estão estacionários ou se se levantam de noite enquanto formam aspetos com os signos envolvidos no evento.

Tais planetas quando estão a «levantar-se» (no horizonte) ou estacionários indicam intensificação dos eventos. Mas, quando estão a pôr-se, ou sob os raios do sol, ou quando avançam de noite, indicam uma redução dos efeitos.

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