Tetrabiblos de Ptolomeu- Livro III- Astrologia de Horóscopo #1

composição artística com rosto feminino

Neste artigo introduzimos os conceitos da astrologia de horóscopo explicados por Ptolomeu na obra Tetrabiblos.

Ptolomeu chama a atenção para o facto de que a Astrologia mundial  as suas previsões universais têm precedência sobre as previsões individuais, pois o universal é sempre forte do que o individual.

No entanto, ambas as previsões são consideradas por Ptolomeu como tendo  o mesmo poder, estudando-se, em ambos os ramos da astrologia o movimento dos planetas , do sol e da Lua.

Mas estes são dois ramos distintos e independentes da astrologia, coo deixa bem claro Ptolomeu e têm regras específicas.

Astrologia da Genitura (horóscopo)

Ptolomeu é de opinião de que, quando se conhece o momento da conceção do indivíduo a análise deste momento é mais fiável do que o momento do nascimento para fazer previsões a análise aprofundada sobre «o corpo e a alma» do indivíduo. São as configurações desse momento que dão a real informação sobre isso.

Tais configurações não são estáticas, mas acompanham o desenvolvimento e crescimento do indivíduo, marcando-o com o poder efetivo da mesma tendência inicial.

Infelizmente, na maioria dos casos as pessoas não sabem qual foi o momento da sua conceção e, neste caso, usa-se o momento do nascimento. Ptolomeu considera de grande importância o momento do nascimento afirmando que este apenas difere do momento da conceção porque este último permite também prever eventos anteriores ao nascimento.

Ptolomeu chama ao momento da conceção a «génese da semente» e ao momento do nascimento «a génese do indivíduo». São as configurações do momento da conceção que presidem à formação do indivíduo, tendo uma natureza causal.

As configurações presentes no momento do nascimento têm similitude ou afinidade com as configurações da conceção e por isso possuem também potencialmente a mesma capacidade de gerar efeitos no desenvolvimento do indivíduo.

Seguidamente, Ptolomeu refere a sua recusa em manter o uso da maioria das estrelas fixas, tal como se fazia nas previsões dos mais antigos (ele nasceu no ano 100, no início do século 2). Esta opção deve-se ao facto de o autor considerar impraticável  a medição das posições dessas estrelas, tornando moroso e pouco fiável esse uso.

Encontrar o Regente da Carta

Após determinar o grau do Ascendente, é preciso encontrar o planeta regente do horóscopo: para isso  devem-se analisar os aspetos Sol Lua imediatamente antes do nascimento, nomeadamente a Lua nova (conjunção) ou a Lua Cheia (oposição). Tomar nota do grau e do signo em que estes aspetos ocorreram.

Quando se trata de uma oposição, o grau a ter em conta é o do planeta que está colocado acima da Terra (no hemisfério superior da carta).

Deve ver-se se existe uma conjunção múltipla de planetas numa dada casa do horóscopo. Ver se há planetas colocados perto dos ângulos da carta, começando pelo mais forte e depois por ordem de força: Meio do céu, Ascendente, Descendente ou Fundo do Céu.

Se existir um planeta colocado num destes ângulos, este é o planeta dominante (Se, por ex., houver dois planetas, um no Ascendente e outro no Meio do céu (junto à cúspide da 10ª casa) escolhe- se este último).

Quando há vários planetas colocados perto de uma casa angular, o planeta dominante é o que está mais perto da cúspide da casa. Ver se este planeta está em receção mútua com outro planeta pois isso pode alterar os seus efeitos, tanto de modo positivo como negativo.

A análise do horóscopo pode dividir-se em duas parte: a parte da análise pré-natal e a parte pós natal. Temas da astrologia pós- natal são as crianças (filhos), longevidade, doença, casamento, posses, amigos, fortuna, etc.

Procedimentos Gerais da Análise

Após a análise da carta natal para se determinarem os fatores fundamentais do destino pessoal, na astrologia de horóscopo Ptolomeu considera que a generalidade das consultas se prende com a necessidade de conhecer previsões para uma área específica de vida. Assim, não é necessário ler todas as áreas de vida.

Deste modo, afirma que se deve escolher em primeiro lugar, a casa que tem a ver com a matéria em análise por ex.,  para uma pergunta sobre o pai, consulta-se a posição em que se encontra o Sol.

Deste modo, a análise do horóscopo era vista, não como a previsão de todos os eventos da vida mas como uma consulta que se aproxima da consulta horária. Assim:

Passo 1- decidir qual a casa relacionada com a matéria da análise;

Passo 2– anotar a posição dos regentes dessa casa, bem como todos os planetas que têm relação com a mesma devido a terem alguma dignidade essencial relacionada.  Se algum planeta tiver a regência de todas as dignidades essenciais relacionadas, deve ser considerado o regente da previsão.

Se houver 2 ou 3 planetas com várias dignidades, deve ser escolhido aquele que tem mais dignidades ( e mais pontuação).

Passo 3– Deve analisar-se a natureza dos planetas e dos signos nos quais esses planetas estão colocados, bem como das casas que regem.

Deve igualmente ser visto, para determinar a força das previsões na vida do indivíduo, se os planetas no momento em que se levanta  uma carta, estão colocados  em posições favoráveis : são favoráveis as posições dos planetas no signo que regem, no signo de exaltação, ou em alguma posição na qual têm uma certa dignidade essencial.

Também são favoráveis quando estão a ascender (1ª casa) ou a culminar (10ª casa) , tendo orientação oriental.

Por outro lado, são mais fracos quando transitam na casa de outros planetas, ou quando são peregrinos. Também são mais fracos quando transitam ocidentalmente ou estão retrógrados. São igualmente mais fracos quando estão a declinar a partir das casas angulares (transitando nas casas cadentes).

Passo 4– deve observar-se sempre se o movimento dos planetas é oriental ou ocidental em relação ao Sol e ao horóscopo. Isto significa que as casas e signos que precedem o Sol são orientais e os signos e casa que estão a seguir ao Sol são ocidentais. Deve observar-se igualmente se os planetas estão colocados em casa angulares ou sucedentes.

Planetas colocados nas casas angulares e orientais são mais fortes. Planetas ocidentais e colocados em casas sucedentes são mais lentos e levam mais tempo a produzir efeitos.

No próximo artigo continuaremos a descrever os procedimentos da astrologia de horóscopo para as áreas de vida segundo a obra Tetrabiblos.

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