Tetrabiblos- Determinar a Longevidade

Casal de idosos

Este artigo discute o tema da longevidade a partir da obra Tetrabiblos de Ptolomeu. Na opinião deste,  é ridículo efetuar uma análise completa de um horóscopo para um número elevado de anos sem ver primeiro se a pessoa viverá todos esses anos.

Depois de lembrar que a questão da determinação da longevidade remonta aos primórdios da Astrologia, Ptolomeu introduz um conceito que será fundamental ao longo da época medieval e renascentista, o Prorrogador( Prorogator)(latim) correspondente ao Hyleg (palavra árabe) usado nos tempos medievais e ao Apheta (grego).

Este conceito ,significando «aquele que alonga ou dilata o tempo para além do que estava definido» e  serve para determinar a longevidade, desenvolveu-se num tempo em que não era ainda aceite o que os astrólogos modernos passaram a aceitar, que é considerarem o regente do Ascendente como o regente do mapa.

O Prorrogador é um ponto na carta, que se encontra através de cálculos que, em Ptolomeu, obedecem às seguintes regras: o Sol ou a Lua são o planeta Prorrogador, se estiverem colocados nas seguintes casas: 1ª, 7ª, 9ª, 10ª, 11ª .

Quando o Sol ou a Lua não estão colocados numa dessas casas, o Prorrogador é o mais forte entre o Sol, a Lua, o regente do Ascendente e a Parte da fortuna.

O Prorrogador corresponde ao Apheta ou dador de vida, contrapondo-se ao planeta destruidor de vida, o Anareta.

Ambos devem ser analisados cuidadosamente, para determinar a longevidade, segundo Ptolomeu.

Deste modo, Ptolomeu assume que, em cada vida humana, existe desde o nascimento uma força que impulsiona e dá vida e uma força destruidora dessa vida. Da relação entre ambas dependerá a duração total da vida.

Determinação da Casa de Prorrogação (Hyleg ou Apheta)

O primeiro passo é encontrar a casa de prorrogação que dará ao seu regente o estatuto de planeta Prorrogador. Para isso analisam-se as casas a partir do Ascendente, começando a 5º além da cúspide da 1ª casa ; depois, avança-se para a 11ª casa; a seguir analisa-se a 10ª casa  e depois a 9ª e, finalmente, a 7ª.

Mas o poder destas casas não é igual, devendo-se escolher , se possível, segundo a seguinte ordem, da mais forte para a mais fraca: 10ª, 1ª, 11ª, 7ª e 9ª.

Nesta escolha das casas não deve ser escolhido nem o signo que forma disjunção com o Ascendente (situado a 150 º ou em quincôncio com o Ascendente- corresponde à 6ª casa) nem o signo que se ergue antes do Ascendente, correspondente à 12ª casa.

Depois disto, tem-se em conta as quatro prorrogativas:  os graus em que se encontram o Ascendente, Sol,  Lua, Parte da fortuna e os respetivos regentes das casas em que se encontram.

Para os nascimentos diurnos o Sol deve ser o Prorrogador, se estiver colocado numa das casas prorrogativas. Se não estiver aí colocado, deve ser atribuída à Lua essa função, se esta estiver numa das casas referidas (ver o início deste artigo).

Se a Lua  também não estiver colocada em nenhuma dessas casas escolhe-se o planeta com mais dignidades em relação ao  Sol, a conjunção Sol Lua anterior ao nascimento e ao regente do Ascendente.  Para um destes ser escolhido tem de ter pelo menos 3 das dignidades essenciais.

Se isso não acontecer,  deve preferir-se o grau do Ascendente.

Num nascimento noturno, para determinar as hipóteses referidas no parágrafo anterior, deve escolher-se em primeiro lugar o grau de colocação da Lua, depois do Sol, depois do planeta que tiver mais dignidades em relação à Lua, o grau da Lua cheia anterior e o grau da Parte da Fortuna.

Ganha o planeta que , em relação a esses graus, tiver mais dignidades essenciais, e tiver pelo menos 3. Mas, se o ciclo de lunação anterior tiver sido uma Lua Nova e não uma Lua cheia, deve escolher-se o grau do Ascendente em vez da Parte da fortuna.

Quando tanto o Sol como a Lua estão colocados numa das casas prorrogativas e o mesmo acontece com o regente do secto deve escolher-se entre o sol e a Lua, aquele que estiver colocado na casa com mais poder.

O grau do Ascendente só deve ser escolhido quando está numa casa com mais autoridade entre as casas prorrogativas e também tem uma relação de domínio em ambos os sectos.

Escolhido o Prorrogador, há ainda que atender às seguintes condições, conforme este está colocado na região oriente – entre o Ascendente e a 10ª casa; ou a ocidente, declinando da 10ª casa para a 7ª.

Quando o Prorrogador está no Oriente, situação em que se diz que está na porção de «projeção dos raios» segue-se apenas o movimento dos signos para determinar os graus destruidores ou «Anareta».

Porém, quando o Prorrogador está colocado na parte ocidental do horóscopo, situação que é designada por «horimea» (quando o Prorrogador  já passou pelo meio do Céu) é  o horizonte , o ponto onde se situa a cúspide da 7ª  e graus próximos que são graus destruidores..

Quando há planetas que se aproximam do Prorrogador estes tiram ou acrescentam anos de vida ao Prorrogador,  conforme a sua natureza benéfica ou maléfica. Um planeta benéfico acrescenta anos, um planeta maléfico subtrai anos.

Mas não matam o nativo porque, no horizonte ocidental, os planetas aproximam-se mas não se movem para a casa prorrogativa (a 7ª). O número de anos que são somados ou  subtraídos depende do grau em que os planetas se encontram colocados.

Para calcular a longevidade, Ptolomeu usa as direções primárias do Prorrogador ou apheta. Ma se este está colocado no quadrante da carta entre  a 10ª casa e a 7ª casa, Ptolomeu afirma que se deve contar os graus entre a posição do Prorrogador e o Descendente, que atua como Anareta ou destruidor.

Ao contrário de outros astrólogos da época helenística, Ptolomeu não considera nem o alchocoden nem períodos planetários.

O cálculo da longevidade assenta na direção dos planetas maléficos para o Apheta ou Prorrogador, quando estes formam aspetos maléficos para o Prorrogador: conjunção, quadratura, oposição, que indicam a possibilidade de Morte quando se referem a Marte ou Saturno.

Aspetos benéficos entre os dois maléficos como sextis separados por signos de longa Ascensão; sextis entre dois signos com a mesma ascensão, e trinos separados por signos de curta ascensão, são indicadores de morte.

Quando os maléficos Marte e Saturno se aproximam , destroem, seja projetando os seus raios, seja corporeamente, através de um quincôncio, oposição e por vezes também sextil, de signos que «ouvem» e «contemplam» e têm o mesmo poder.

O signo que fica em quincôncio em relação ao signo de prorrogação, na ordem de signos que se seguem, destrói igualmente. Por vezes,  alguns signos de longa ascensão, quando formam sextil, também destroem, quando aflitos. E, entre os signos de rápida ascensão, acontece o mesmo através do trino, quando há aflição.

Quando a Lua é o Prorrogador, o signo onde está situado o Sol também é destruidor.

Os planetas que se aproximam da casa de prorrogação tanto podem destruir como preservar. Mas há também a notar que os referidos signos com capacidade de destruição só o fazem quando estão aflitos.

Os signos capazes de destruir referidos atrás não o farão quando: as suas partes correspondem ao termo de um planeta benéfico; também não destrói se algum planeta benéfico estiver em aspeto por quadratura, oposição, trino sobre o grau destruidor ou graus seguintes a esse.

Agora, os «graus seguintes» em que o aspeto dos planetas benéficos pode cancelar o caráter destrutivo dos signos dependem do planeta: no caso de Júpiter, até 12º; no caso de Vénus até 80º.

Este cancelamento do caráter destrutivo também se aplica quando tanto o Prorrogador como o planeta que se aproxima deste não têm a mesma latitude (um está a norte e o outro a sul)[1],  e assim o planeta que se aproxima não destrói a vida.

Deste modo, num dado momento, quando há vários planetas de cada um dos lados- uns a apoiar a preservação da vida , outros a apoiar a destruição da mesma- é preciso analisar quais prevalecem, tendo em conta o número dos que apoiam a preservação e a sua força,.

O número de planetas que apoiam a vida e o número de planetas que destroem a vida e a força de cada grupo deve comparar-se para ver qual das duas forças é superior. O poder dos planetas é aferido pela dignidade essencial- quais têm mais destas- e também vendo quais estão a erguer-se e quais estão a pôr-se.

Este último aspeto é indicado pela posição na carta: no lado esquerdo, perto do Ascendente estão a erguer-se e, no lado direito, perto da cúspide da  7ª casa, estão a pôr-se. São mais fortes os planetas colocados no lado esquerdo do Sol. Nenhum planeta sob os raios do Sol  pode dar apoio ou destruir a vida.

Quando a Lua é o prorrogador, o signo do Sol é destruidor da vida quando contém um planeta maléfico e este caráter destruidor não pode ser aliviado por nenhuma das medidas referidas atrás.

O número de anos é determinado pelo número de graus entre a casa de prorrogação e o planeta destruidor .

Quando a Lua tem o papel de Prorrogador ou Apheta, Mercúrio, se estiver em conjunção com maléficos e com o Sol, pode também ser indicador de morte.

Nas direções dos planetas maléficos para o Prorrogador, cada grau equivale a um ano.

Mas as indicações de morte podem ser mitigadas ou canceladas, nas seguintes condições:

Se o planeta Anareta estiver sob os raios do Sol torna-se incapaz de destruir a vida;

Se o Anareta estiver no termo de um planeta benéfico ou se um planeta benéfico tem um aspeto de quadratura, oposição ou trino com o Anareta, pode impedir a morte.

Mas estes aspetos devem ser exatos para o grau em que se encontra o Prorrogador ou nos graus imediatamente a seguir, considerando-se 8º de orbe para Vénus e 12º para Júpiter. Estes também não devem estar sob os raios do Sol.

Quando há planetas maléficos e benéficos para o Prorrogador, deve-se ver quais são mais fortes.

O Anareta também não mata se tiver uma latitude diferente do Prorrogador. Assim, se este estiver a Norte e o Anareta estiver a Sul, este perde o poder de destruir.

Adicionalmente, para a saúde, Ptolomeu aconselhava ter em conta as dignidades acidentais e ver as direções para o Ascendente.

 

[1] Essa informação obtém-se consultando as Efemérides.

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