Astrologia Horária- Direção Espacial e Tempo dos Eventos

mulher sentada junto a caravana designada por «lugar feliz»

Neste artigo exploramos alguns ensinamentos de W. Lilly, na obra Introduction to Astrology  para aprendermos a determinar a direção geográfica a partir da carta horária  e assim determinar a direção espacial e o tempo dos eventos, bem como o contexto em que se realiza a pergunta e o desenvolvimento positivo ou negativo que se pode esperar em relação à matéria da questão.

Procedimentos Gerais para Todas as Questões na Astrologia Horária

Quando alguém formula uma questão na astrologia horária, pode  obter-se informação adicional, examinando o último aspeto que a Lua e o regente do Ascendente formaram com outros planetas antes de a questão ter sido feita pela pessoa. Isto mostra eventos que precederam a consulta e que, de algum modo preocupam o querente.

A seguir, examinem-se os próximos aspetos maiores que a Lua formará com o regente do Ascendente (aspetos de aplicação) e isso mostrará o que se poderá esperar em relação á matéria da questão.

Outro aspeto a ter em conta é determinar quais as casas que os planetas que formaram aspetos separativos com a Lua e o regente do Ascendente regem.

Os significados dessas casas dão ao astrólogo o contexto da matéria da questão, a natureza desta, o interesse do querente e os acontecimentos que precederam a questão formulada na consulta.

Se os aspetos forem bons deve considerar-se que tais eventos foram positivos e inversamente se os aspetos forem negativos.

Por outro lado, veja-se qual o próximo aspeto de aplicação do regente do Ascendente e da Lua. Anotem-se as casas em que se darão esses aspetos e a natureza dos mesmos- positiva ou negativa- e a partir daí conclua-se  que se podem esperar desenvolvimentos positivos ou negativos. Julgue-se também o tempo em que se produzirão, tal como explicado a seguir.

A força dos planetas significadores , tanto do querente (regente do Ascendente e Lua) como da matéria da questão (regente da casa que rege a questão formulada) tem implicações sobre a duração dos seus efeitos: quando mais dignificados estiverem, mais duradouros serão os seus efeitos.

Lilly deixa ainda um conselho aos estudantes de astrologia: escrever minuciosamente os resultados de cada análise para poderem, posteriormente, avaliar se as previsões efetuadas tiveram o desenvolvimento que foi previsto. Esta é uma importante forma de julgar o próprio trabalho , para poder fazer ajustamentos quando for necessário.

Em que direção serei mais feliz ou onde alcançarei mais sucesso?

Para encontrar a direção no espaço indicada pela carta horária, temos de nos lembrar de que  as doze casas do horóscopo se dividem em 4 quadrantes, representado os 4 pontos cardeais: Este, Oeste, Norte e Sul, representados pelas casas angulares ou pivot do horóscopo.

O quarto  setor, que vai da 1ª casa, na qual o Sol e o Este Ascendem, até à 10ª casa, é o setor Sudeste: a 1ª casa corresponde ao Este, a 12ª casa está a cerca de dois pontos sul do este, a 11ª está, na cúspide, a cerca de 2 pontos este do sul e a meio está a sudeste. Quanto à 10ª casa está a Sul.

Da 10ª casa até à 7ª casa é o setor Sudoeste, calculando-se de modo semelhante ao descrito no parágrafo anterior.

Da 7ª até à 4ª casa é o setor noroeste. Da 4ª até à 1ª casa é o setor nordeste. E cada casa angular representa um ponto cardeal: 1ª- Este; 10ª- Sul; 7ª – Oeste; 4ª – Norte.

Agora, para responder à questão referida, o setor no qual se encontre Júpiter, Vénus, a Lua, ou a Parte da fortuna, é aquele para o qual o nativo deverá ir para alcançar os objetivos desejados.

Quando os referidos planetas estão situados em diferentes quadrantes, escolhe-se aquele no qual estão colocados mais planetas, entre os referidos, especialmente a Lua e a Parte da fortuna, desde que não estejam em combustão e estejam fortes.

Os planetas benéficos, Júpiter e Vénus, também não devem ser considerados se tiverem a regência das casas 6ª, 8ª ou 12ª. Os quadrantes onde se encontram colocados devem ser evitados.

Os quadrantes onde se encontrem colocados Marte e Saturno devem igualmente ser evitados, ao determinar a direção espacial, a menos que estes planetas estejam fortes nas dignidades essenciais. A este respeito há astrólogos que evitam a direção na qual se encontram os planetas maléficos, mesmo que estejam dignificados.

A direção na qual se encontram os regentes da 1ª, 2ª, 10ª ou 11ª casas são favoráveis, desde que os planetas estejam bem colocados e fortes.

Quando o querente quer viver num local  onde  a saúde mais é favorecida,  para determinar a direção espacial deve-se olhar para os quadrantes nos quais a Lua ou o regente do Ascendente estão colocados. E escolhe-se aquele que, entre os dois, é mais forte ou aquele que lança aspeto para o grau do Ascendente.

Quando o que a pessoa deseja determinar a direção  espacial na qual alcançará mais riqueza, deve ver-se onde está localizado o regente da 2ª casa, a Parte da fortuna, o dispositor desta  e considerar  qual dos dois  é mais forte.

Note-se que o quadrante onde se localizam os maléficos – Saturno e Marte- também pode ser lido temporalmente como explicámos, para se determinar qual será a época da vida em que se enfrentarão mais dificuldades.

Quando há um bom número de casas nas quais não há nenhum planeta benéfico, essas casas indicam que o período da vida correspondente será de trabalho e sem facilidades.

A este respeito, se a Lua efetuou, antes da realização da pergunta, aspetos positivos (trino e sextil, principalmente) com Júpiter ou Vénus a pessoa receberá ajuda de alguém representado por Júpiter ou Vénus, por um período que se determina pelo número de graus formado pelo aspeto.

Ter em consideração aqui que a contagem, como explicámos em outro artigo, deve ser feita tendo em conta se se trata de signos fixos cardinais ou mutáveis.[1]

Por exemplo, se tiver sido formado um trino com uma orbe de 3º entre a Lua colocada no signo Touro e Júpiter  colocado no signo Virgem isso indica ajuda por um período de cerca de 3 anos- 1º equivalente a 1 ano.

Por outro lado, a dignidade de Júpiter ou Vénus também é importante para determinar se a ajuda será de curta duração ou longa. Se Júpiter ou Vénus, ao formarem esse aspeto prévio com a Lua, estiverem muito dignificados, pode julgar-se que a pessoa terá ajuda duradoura.

Vamos a seguir exemplificar, com algumas questões:

Questão: que parte da minha vida será melhor?

Analisar o quadrante do horóscopo ou a casa angular, se for caso disso, em que os planetas benéficos (Júpiter e Vénus) estão colocados  e contar o número de casas até ao Ascendente. Cada casa significa cerca de 5 anos.

A partir do Ascendente, conta-se a partir deste na direção da 12ª casa , depois 11ª, 10ª, etc., até à posição em que se encontram os planetas benéficos. Se Júpiter ou Vénus estiverem colocados na 11ª ou 12ª casa dizer ao querente que este viveu feliz entre os 5 e os 15 anos de idade. Se estiverem na 7ª ou na 8ª, pode dizer-se que viveu feliz entre os 15 e os 30.

Se Júpiter ou Vénus estiverem colocados na 6ª, 5ª ou 4ª pode dizer-se que a parte melhor da vida é a meia idade, dos 30 aos 45. Se os planetas estiverem colocados no último quadrante- da 4ª à 1ª casa- então a melhor parte da vida será a partir dos 45 anos.

Se Vénus e Júpiter  estiverem fortes, pode adicionar-se 1 ano a cada casa. Atrevemo-nos a dizer que talvez mais do que isso, uma vez que, desde o século 17, em que Lilly escreveu, a longevidade média aumentou muito e talvez se possa dizer hoje que a meia idade vai , não até aos 45 mas até aos 60.

[1] Uma semana por cada grau quando o planeta está num signo cardinal; um mês por cada grau para um signo mutável e um ano por cada grau para um signo fixo.

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