Interpretar a Força do Horóscopo com as Dignidades Essenciais

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Neste artigo descrevemos como interpretar a força do horóscopo  com as dignidades essenciais e qual o planeta mais forte, de acordo com a obra Introduction to Astrology de W. Lilly.

Lilly  comenta  as diferenças entre a astrologia grega árabe e hindu, no que se refere às dignidades  essenciais dos planetas. E considera que, desde a mais remota antiguidade, até à época de Ptolomeu, no século 2, havia muita divergência entre os astrólogos.

Com Ptolomeu e os seus ensinamentos, esta questão assentou e tanto os gregos como os cristãos, até ao seu tempo (século 17), exceto os bárbaros (expressão do autor) seguiram Ptolomeu. O autor, é claro, inclui-se entre os que seguem Ptolomeu.

Interpretar a Carta com as Dignidades

O autor começa por descrever os primeiros passos para interpretar o horóscopo: primeiro devemos conhecer de forma perfeita a natureza dos planetas e dos signos, antes de nos aventurarmos na interpretação.

Em seguida, devemos determinar a força e fraqueza dos planetas significadores – na astrologia horária, significadores da matéria da questão; na astrologia de horóscopo, significadores das várias áreas de vida, isto é os regentes das casas e outros significados dos planetas .

Seguidamente, analisamos a posição por casa dos planetas, os aspetos que recebem (incluindo o caráter desses aspetos, se são benéficos ou maléficos,) e ter  conhecimento apurado da natureza dos aspetos que se formam entre os planetas e as casas.

Mas esta interpretação deve ser feita tendo em conta o conjunto global das influências na carta, não devendo ser apenas a análise isolada da força e posição de cada planeta visto de forma isolada.

Num primeiro passo, podemos anotar a dignidade, os aspetos e a posição por casa de cada planeta, numa tabela mas, seguidamente, teremos de comparar os vários fatores e determinar qual a influência mais determinante na carta, escolhendo o planeta mais forte.

Se erguemos a carta a propósito de uma questão na astrologia horária, determina-se a influência mais forte para o momento da questão, de modo a poder responder se o resultado em relação á matéria da questão é positivo ou negativo;

Se a carta é um horóscopo de nascimento, determinamos a influência mais forte para avaliar o potencial de sucesso geral e das várias áreas de vida, tendo em conta as áreas que recebem bons aspetos da influência mais forte da carta e se estas são benéficas ou maléficas.

Lilly adverte para não forçar a análise da carta, pois isso aumenta a possibilidade de erro. Devemos cingir-nos aos dados que a carta mostra de forma objetiva. Para isso precisamos de aprender a determinar de forma clara quando é que um planeta é forte e quando é fraco.

A primeira forma metódica de o fazer é através da dignidade Essencial.

Planeta Forte

Um planeta é considerado forte quando tem muitas dignidades essenciais.  Zadkiel, o comentador que voltou a  publicar esta obra no século 19, alerta para a diferença, nesta matéria, entre a astrologia horária e a de horóscopo:

O critério principal para determinar a força dos planetas na astrologia horária é o das dignidades essenciais.

Mas, na astrologia de horóscopo, em que temos em conta a hora do nascimento, devemos, segundo este comentador, considerar como mais importantes a posição do planeta numa casa angular e, seguidamente, os aspetos que o planeta forma com outras casas e planetas.

Mas Lilly não faz nenhuma diferença nesta matéria  e é das dignidades essenciais que Lilly fala neste capítulo. E nós concordamos com a posição de Lilly, pois é mais objetiva e completa, embora os elementos referidos por Zadkiel também sejam importantes.

As dignidades essenciais são apresentadas pela ordem decrescente, da mais forte para a mais modesta:

Dignidade do Próprio Signo

Esta dignidade só se aplica quando o planeta não está retrógrado, combusto, ou aflito por aspetos de planetas maléficos. O que isto significa é que, se um planeta está colocado no próprio signo mas está combusto ou retrógrado, ou recebe o aspeto de planetas maléficos, torna-se fraco.

Esta dignidade mostra sucesso geral nos aspetos da vida e significados que o planeta representa. Indica uma pessoa que tem boa fortuna, propriedade e felicidade na matéria ou área de vida em questão.

Na astrologia horária indica uma pessoa feliz com a o seu estado ou condição.

Exaltação

O autor acrescenta que esta dignidade essencial deve ser considerada, tanto quando o planeta está muito próximo do grau de máxima exaltação ou não, isto é o planeta está exaltado quando colocado no signo de exaltação.

Quando um planeta significador na astrologia horária está exaltado, representa alguém arrogante que se tem em maior conta do que a que corresponde à sua real posição, embora tenha uma boa condição.

Porém, assume mais do que o que lhe é devido.

Na natividade, um planeta exaltado, embora dê resultados inferiores ao do planeta no próprio signo (neste aspeto a astrologia ocidental é diferente da astrologia da Índia, que considera mais forte o planeta exaltado, talvez por má interpretação dos textos levados da astrologia helenística para a Índia, por Alexandre Magno).

No entanto, refere Lilly, um planeta colocado no signo de exaltação dá melhores resultados do que na dignidade abaixo desta.

Triplicidade

A triplicidade refere-se à colocação de um planeta no mesmo elemento do signo que rege. O Zodíaco tem 12 signos, distribuídos pelos 4 elemento, o que dá 3 signos por cada elemento. Assim, quando Marte, regente do signo Carneiro, está colocado no signo Sagitário, que também é um signo de fogo, está colocado na sua triplicidade.

Num outro artigo apresentámos uma tabela que contém todas as dignidades essenciais  por planeta  e os planetas que regem cada uma das triplicidades.

Um planeta colocado na sua triplicidade tem média capacidade de produzir bons efeitos e boa fortuna.

Na astrologia horária, descreve alguém com uma condição modestamente boa, ou seja, a pessoa tem suficiente boa fortuna e alguns bens, mas não é rica.

Termo

Quando um planeta está colocado nos graus que são designados por «termos» que ele rege, é considerado ligeiramente dignificado.

Segundo Lilly, quando um planeta tem apenas a dignidade do termo, os efeitos fazem-se sentir mais no caráter e aparência física da pessoa, no sentido de que esta revela uma personalidade e características físicas de acordo com o planeta em causa.

Porém, esta dignidade não é suficiente para ter impacto na fortuna e prosperidade material ou na fama social e pública da pessoa.

Face

A «face» é a mesma coisa que o decanato. É a dignidade essencial mais fraca. Quando um planeta está na própria face, a coisa mais positiva que se pode dizer é que o planeta não é «peregrino».

Um planeta peregrino é um planeta que não tem peso no horóscopo pois está desprovido das principais fontes de força e, só por si, pouco pode fazer.

Na astrologia horária, quando um planeta tem apenas esta dignidade, representa alguém que luta para se manter à tona, para não perder tudo, uma pessoa que mal consegue sustentar-se a si própria mas procura manter um último fôlego para não desaparecer.

Dignidades Acidentais

Também já dedicámos um artigo a esta matéria, das dignidades acidentais de um planeta. Neste artigo vamos descrever a aquisição de força dos planetas quando estão em dignidade acidental e a interpretar este tipo de dignidade, segundo Lilly.

Para não nos repetirmos,  remetemos o (a) leitor (a) para outro artigo já publicado, no qual tecemos algumas considerações complementares a estas.

Um planeta está em dignidade acidental quando o seu movimento é direto, quando está em movimento rápido, quando está em conjunção com determinadas estrelas fixas benéficas, quando está em aspeto com Júpiter ou com Vénus.

Depois de atribuirmos a cada planeta as várias dignidades, usando um sistema de atribuição de pontos,  que pode ver-se na tabela que construiu  a partir de Ptolomeu, vemos facilmente e de forma objetiva, qual o planeta mais forte.

A posição em casa angular, os aspetos recebidos, e a sua colocação na parte diurna ou noturna do horóscopo, são fatores adicionais a considerar na avaliação.

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