Tetrabiblos- O uso das Progressões

representação temporal da vida

Neste artigo falamos sobre o modo de usar as progressões ou prorrogações, como se dizia no mundo antigo, terminando com este tema a obra Tetrabiblos de Ptolomeu, a obra que, durante muitos séculos, foi o manual de astrologia que ensinou os astrólogos do ocidente.

Os procedimentos nas progressões são os seguintes, segundo Ptolomeu:

Para informações sobre o corpo e sobre viagens para o estrangeiro, fazemos a progressão de todos os planetas para o ascendente;

Para determinar a propriedade, progredimos os planetas até á Parte da Fortuna.

Para o casamento e afeções da mente, progredimos os planetas até á Lua. Para saber que honras e sucesso o nativo alcançará na sociedade, progredimos os planetas até ao Sol.

Para analisar as amizades, a possibilidade de ter filhos, as ações principais do nativo, progridem-se os planeta até ao meio do céu.

Com estas progressões, que devem ser feitas anualmente, haverá planetas benéficos e maléficos a reger os vários aspetos referidos e, ao mesmo tempo, podem acontecer eventos benéficos e outros maléficos.

Ao mesmo tempo, acontecem eventos contraditórios, como é normal na vida, por exemplo, herdamos uma propriedade porque morre um ente querido, estamos mal de saúde, mas recebemos uma promoção no emprego, etc.

Ao fazer as progressões de todos os planetas, podemos ver, ao mesmo tempo, o que pode suceder de positivo e de negativo. Porque é muito difícil que, em cada momento da vida, todos os eventos sejam positivos ou negativos.

É raro que os efeitos de todos os planetas progredidos sejam totalmente positivos ou totalmente desafortunados, embora possa ocorrer algumas vezes, pelo menos na perceção do indivíduo.

Na análise das progressões, Ptolomeu afirma que não devem apenas considerar-se as conjunções, quadraturas e oposições, mas também o trino e o sextil.

Seguidamente, Ptolomeu ensina os procedimentos sobre as progressões:

Deve dar-se a regência da progressão ao planeta que está colocado no grau de prorrogação ou em aspeto com este. E, se esta condição não existe, dar a regência ao planeta que está mais perto do grau anterior, até que haja outro planeta que esteja   em aspeto com o grau seguinte  na ordem dos signos.

Segue-se o mesmo procedimento para todos os planetas, usando o princípio do planeta que está mais perto do grau seguinte.  Os planetas que governam os termos em que caem esses graus, devem ter uma parte da regência.

Depois, nos intervalos que ficam entre os planetas, atribuem-se anos, (um grau = um ano)

Nas progressões a partir do Ascendente, atribui-se o número igual ao tempo de ascensão no que respeita à latitude do Ascendente; nas progressões a partir do meio do céu, atribuem-se um número igual ao número de culminações.

Nas progressões a partir de outros pontos da carta, atribui-se um número proporcional de acordo com a proximidade de uma ascensão, ocaso ou culminação dos ângulos, tal como foi explicado no artigo sobre a longevidade.

Encontram-se desse modo os chronocrators  ou regentes dos períodos planetários. O chronocrator anual estabelece-se contando o número de anos, a partir do Ascendente e seguindo a ordem dos signos. A partir do nascimento, contando um signo por cada ano. O regente do signo que corresponde ao ano de vida pretendido é o chronocrator anual.

Para realizar progressões mensais procede-se do seguinte modo: conta-se o número de meses a partir do mês de nascimento, começando pelas casas que governam o ano, atribuindo 28 dias a cada signo.

Para as progressões dos  dias, procede-se de modo similar, estabelecem-se os dias a partir do dia de nascimento, começando com as casas que governam o mês, atribuindo dois e um terço a cada signo.

Para determinar o tempo dos eventos, devemos ter em conta a entrada dos planetas por trânsito, nas casas que determinam o tempo (anual, mensal e diário) em especial :

A entrada de Saturno, nas casas gerais do período; a entrada de Júpiter é essencial para prever os eventos, quando este entra nas casas dos anos; já a entrada do Sol, Vénus, Marte e Mercúrio  nas casas do mês é essencial para as previsões dos efeitos; e o trânsito da Lua é essencial para os eventos dos dias.

A relação entre estes diversos chronocrators é a seguinte: os chronocrators gerais têm a autoridade maior para fazer as previsões; os restantes- chronocrators parciais- ajudam ou impedem, de acordo com a sua natureza e, ao entrarem nas casas que regem o ano, mês ou dia, influenciam o aumento ou redução da manifestação do evento.

A casa da progressão exprime a qualidade específica e a duração temporal, bem como o regente do período geral e o regente dos termos que ocupam a casa de progressão.

Para determinar se o evento será positivo ou negativo, analisam-se as qualidades naturais e compostas dos chronocrators. Isto significa: ver se o planeta é benéfico ou maléfico e se está bem ou mal colocado no signo onde está colocado.

Qual o momento em que ocorrerá o evento determina-se pelos aspetos dos signos da casa anual e mensal (progredidas) para as casas que são a causa desses eventos e pelos aspetos, nos aspetos dos signos para as casas nas quais os planetas estão a entrar e nos quais as fases do Sol e da Lua ocorrem para os signos anuais e mensais.

Quando os aspetos são harmoniosos na carta, ao entrarem nas casas referidas influenciam positivamente os eventos, mesmo quando causam mal através de  aspetos de oposição .

Mas, se os aspetos são desarmoniosos e têm relação com o secto oposto, causam mal, quando estão em oposição e quadratura aos trânsitos, mas não em outros aspetos.

Quando o mesmo planeta rege o período e entra, por trânsito na casa de progressão, as experiências dos eventos são excessivas e puras, quer a tendência seja positiva ou negativa. Isto é mais evidente se o planeta que é o chronocrator é também o regente dessa matéria na carta natal.

Quando os vários chronocrators estão todos colocados na mesma casa, o nativo é, ou completamente feliz ou infeliz com os eventos que ocorrem, não sendo os efeitos distribuídos pela colocação diversificada dos planetas.

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