Potencial de Relacionamento

casal divertido a pintar em conjunto uma divisão da casa

Neste artigo começamos a analisar os relacionamentos na perspetiva da astrologia atual ocidental. Analisaremos o potencial de relacionamento, seguindo os parâmetros da astrologia ocidental.

Na astrologia ocidental contemporânea, há uma forte ênfase na relação entre a psicologia e a astrologia e na explicação dos fatores que geram compatibilidade e incompatibilidade nos relacionamentos.

Antes de passar à análise conjunta das cartas de ambas as pessoas é necessário, primeiro, avaliar o potencial geral de relacionamento de cada um dos parceiros.  A personalidade individual e a capacidade de cada indivíduo investir num relacionamento, são aspetos vitais a estudar antes de qualquer comparação entre as cartas de duas pessoas.

O primeiro indicador a avaliar é a 7ª casa, o seu regente, os planetas que estão colocados na 7ª casa e os aspetos que formam (e a sua natureza benéfica ou maléfica) com outros planetas, tal como ensinado pelos astrólogos mais antigos.

Os aspetos de oposição entre esses planetas indicam, não apenas dificuldades pessoais de se relacionar com outros, mas também a tendência para ver nos parceiros potenciais essas dificuldades, que muitas vezes a pessoa não reconhece em si própria.

A 7ª casa mostra o que procuramos nos outros- aspetos de harmonia significados pelas configurações mais harmoniosas; ou de conflito- indicados pelos  aspetos e planetas aí colocados em associações desafiadoras.

E há a tendência para projetar nos parceiros potenciais essa imagem simbólica, que pode, por vezes, aparecer como um obstáculo ao potencial positivo de relacionamento.

Aspetos negativos envolvendo os planetas pessoais, como a Lua ou Vénus, o Sol ou Marte, opostos a outro planeta, indicam uma tendência  da personalidade para certos mecanismos psicológicos e comportamentais, que se projetam sobre os outros , ao mesmo tempo que revelam dificuldades no plano pessoal, em lidar com as próprias emoções, dificuldade em gerir a raiva e a agressividade, e exprimir amor.

A posição de Saturno, pelo que revela de fatores internos profundos, que modelam o  destino pessoal, deve ser também tida em conta, sobretudo se há algum aspeto mais difícil com outro planeta.

A posição de Vénus na carta natal e o signo em que está colocado, bem como os aspetos que forma ,ajuda a determinar o potencial de relacionamento e as necessidades sentidas pelo nativo quando procura relacionar-se de forma próxima com outros.

Efeitos dos Aspetos de Vénus

Quando há um aspeto harmonioso entre o Sol e Vénus, o nativo está muito disponível para os relacionamentos românticos, revela confiança e abertura em relação à (ao) parceira(o).

As pessoas que têm um aspeto entre a Lua e Vénus são bastante sensíveis e acolhedoras, mas podem tender a depender em demasia do (a) parceiro (a). Receiam ofender ou magoar os outros e podem ser vítimas fáceis de abuso da sua bondade pelos outros.

Quando há um aspeto entre Vénus e Saturno na carta natal, a pessoa é muito responsável em relação aos parceiros, sendo mais movida pelo sentimento de dever do que pelo amor caloroso e próximo. É leal, séria, fiel, mas tem grande dificuldade em exprimir sentimentos e afeto aos parceiros. É pragmática e pode escolher relacionar-se devido a conveniência mútua. Considera o casamento um contrato que deve regular os direitos e deveres de ambos os parceiros e acredita que, desde que ambos cumpram o contrato, o relacionamento será bem-sucedido.

Condição de Vénus

Sendo um importante significador dos relacionamentos românticos, a posição de Vénus na 12ª casa indica a tendência para manter os relacionamentos românticos na esfera da vida privada.

Também pode acontecer que a pessoa procura relacionamentos de caráter secreto, sendo difícil que estes sejam tornados públicos na vida do nativo. Parece haver um prazer especial em manter os relacionamentos secretos, com esta posição.

Vénus retrógrado indica um padrão de relacionamento em que a pessoa leva muito a sério as relações que forma, não entrando facilmente em relacionamentos ocasionais, mas este aspeto  indica frequentemente que há certos padrões psicológicos que dificultam esta área de vida.

O Fator da 7ª Casa

A 7ª casa e o seu regente representam aspetos do nativo que são mostrados pelos parceiros e pelos relacionamentos. Em geral, indicam facetas da personalidade que se desenvolvem sempre que o nativo entra num relacionamento.

O regente da 7ª casa representa também o(a) parceiro (a) e, muitas vezes, indica o contexto ou ambiente no qual este pode ser encontrado, de acordo com a casa em que o planeta está colocado. Por ex., se está colocado na 9ª casa este pode ser encontrado durante uma viagem.

A colocação do regente da 7ª casa também indica a natureza do relacionamento ou pode indicar várias dinâmicas num mesmo relacionamento. Por ex., o regente da 7ª casa colocado na 10ª pode indicar que o parceiro desempenha um papel importante na carreira do nativo, podendo haver um relacionamento que é simultaneamente conjugal e profissional, embora nem sempre seja assim.

Quando há planetas colocados na 7ª casa, isso indica que os parceiros- e não apenas o cônjuge- são meios privilegiados através dos quais a pessoa vivencia os significados representados por esses planetas na natividade.

Tais pessoas têm uma forte motivação para entrar em relacionamentos de diversos tipos, para poder, desse modo, exprimir a energia dos planetas colocados na 7ª casa.

Por exemplo, a presença do Sol ou da Lua na 7ª casa, indica uma forte dependência em relação aos relacionamentos.

Quando se trata do Sol, é uma dependência na qual o nativo apreende a sua identidade individual através da capacidade de negociar e de  formar acordos de cooperação. A pessoa vê-se a si mesma e atribui-se um valor através da capacidade de formar acordos e da aptidão de negociar.

Já a presença da Lua na 7ª casa indica uma forte dependência emocional em relação aos parceiros, adotando-se um modelo muito próximo do maternal, pois a segurança emocional do nativo é alimentada pela capacidade de nutrir e cuidar do outro.

Quando Mercúrio está presente na 7ª casa, a pessoa precisa de dialogar e a capacidade de ligação dos parceiros através do diálogo é fundamental. Para esta pessoa, a boa compatibilidade intelectual e ao nível geral das ideias e da compreensão da realidade é um fator essencial do relacionamento.

A presença de Vénus na 7ª casa indica uma forte necessidade de igualdade e equilíbrio ao nível dos direitos e deveres de cada um. Também indica tendência para evitar discussões e discordância a todo o custo. Estas pessoas podem gostar de basear o relacionamento num acordo, preferencialmente escrito, para salvaguardarem a harmonia no relacionamento.

A presença de Marte na 7ª casa indica um estilo de relacionamento competitivo e energético, podendo haver aborrecimento quando se entra na rotina. A pessoa não gosta de um relacionamento no qual tudo é previsível e repetitivo e pode haver episódios de aventuras extraconjugais.

A presença de Júpiter na 7ª casa indica que o nativo deseja encontrar um (a) parceiro (a) generoso(a), instruído, espiritual, movido por valores éticos elevados e capaz de inspirar e guiar o nativo no seu crescimento como ser humano.

Saturno na 7ª casa indica a escolha de parceiros ou parceiras maduros ao nível da personalidade, por vezes mais velhos em idade biológica, sérios, honestos, fundando o relacionamento na confiança e na lealdade. Mas há dificuldade em exprimir afetos de forma próxima, mantendo-se alguma distância emocional entre os parceiros.

A presença do nodo sul na 7ª casa indica a tendência para repetir padrões de relacionamento trazidos do passado, levando o nativo a formar relações nas quais pode depender em demasia dos parceiros.  O medo de estar sozinho pode ser mais importante do que os fatores positivos que levam a pessoa a querer relacionar-se.

Já o nodo norte da Lua na 7ª cas aprece indicar um foco excessivo do nativo em si mesmo, demasiada tendência para competir com os outros, tendência para a irritabilidade e impaciência na relação com os outros.

O Sol e a Lua

Ptolomeu, o mestre da astrologia helenística que forneceu as bases da astrologia ocidental, não tinha dúvidas em apontar o Sol e a Lua como indicadores principais para a compatibilidade no casamento.

A relação harmoniosa entre o sol e a Lua na carta natal, em primeiro lugar, e na relação entre as cartas de ambos os parceiros, é essencial para conseguir formar um relacionamento duradouro e feliz.

Assim, há que analisar também os aspetos entre o Sol e a Lua na carta individual, para avaliar o potencial de relacionamento.

Quando há aspetos difíceis entre o Sol e a Lua,- quadratura, oposição e quinquôncio- a pessoa tem uma relação pouco harmoniosa consigo própria e isso vai-se refletir no modo como se relaciona com os parceiros e o cônjuge.

Apesar disso, estes aspetos, quando existem, podem indicar uma forte ligação, mas esta mostra-se bastante desafiadora e, para ser superada, necessita que a pessoa que tem estes aspetos na sua carta, os reconheça como expressão de uma luta interna, em primeiro lugar em si mesma.

Por outro lado, os aspetos mais harmoniosos, como o sextil e o trino, podem produzir na pessoa a ideia de que a harmonia nos relacionamentos é algo que não necessita de qualquer esforço da sua parte e ocorre por si, o que também pode gerar uma atitude de inércia quando alguma coisa não corre bem na relação.

Quando há um aspeto de oposição entre o Sol e a Lua na carta natal, há a tendência para encarar o relacionamento como algo problemático, considerando que é preciso intervir constantemente para manter a harmonia.

A pessoa tende a pensar que, a qualquer momento, a relação pode terminar, o que gera constante stress. Vê o relacionamento como uma luta de vontades e de conflitos potenciais.

Quando existe um aspeto de quadratura entre o Sol e a Lua na carta natal, a pessoa tende a sentir contradições internas querendo e não querendo em simultâneo, comprometer-se com um dado relacionamento. Tende a ser defensiva em relação aos outros , sendo muito sensível a qualquer crítica que encara facilmente como ataque pessoal.

Quando há um aspeto de quincôncio entre o Sol e a Lua há tendência para não saber dosear o dar e receber. A pessoa pode tender a fazer demasiadas concessões ao outro, mas fica à espera de receber o reconhecimento por isso, reagindo com ressentimento quando isso não acontece, sentindo que o (a) parceiro (a) se aproveita da sua generosidade.

Os aspetos mais harmoniosos de sextil ou trino entre o Sol e a Lua a  mostram que a pessoa tem grande facilidade em interagir com os outros em geral e com os parceiros românticos em particular.

Mas cria facilmente o sentimento de segurança de que o «relacionamento se sustenta por si» sem precisar do seu investimento, dando assim a relação como garantida, o que nem sempre produz bons resultados, pois há parceiros (as) que não gostam de sentir que o outro não se esforça minimamente para fazer o relacionamento funcionar.

Quando a Lua forma conjunção com o Sol na carta natal, a pessoa tende a viver bastante no seu próprio mundo subjetivo. Tende a ver tudo- inclusive os aspetos do relacionamento- a partir da sua própria perspetiva e tem dificuldade em colocar-se no lugar do outro para ver as suas reais necessidades.

Tende também para a rigidez em relação ao relacionamento, focando-se essencialmente em si própria, o que pode ser um problema, mais cedo do que tarde, para os parceiros.

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