A Astrologia (Jyotish) não é Magia!

Vem esta mensagem a propósito do comentário  de uma leitora, que lembra que é  preciso mostrar que a Astrologia não é «magia».
 
Ora, se por tal  entendermos  algum tipo de manipulação sobre a natureza que seja contrário às suas leis ou a prática de truques extraordinários e inexplicáveis à luz das leis naturais, eu não podia estar mais de acordo! A Astrologia não é de facto Magia!
A Astrologia lida com fatores que, em muitos aspectos se cruzam com a Física  em 1928, Pandit  Jyoti  Bachaspati formulou um conjunto de hipóteses que, na sua opinião, deveriam fundamentar a Astrologia Védica (Jyotish)  como uma ciência que, além da utilização de métodos qualitativos e quantitativos como qualquer outra ciência,  deveria adotar uma dimensão experimental, cujos resultados são testados de forma rigorosa  e pela qual as técnicas e métodos utilizados são eles mesmos postos à  prova  como sucede nos procedimentos científicos em geral.
 
 As hipóteses formuladas então partem do princípio de  que o Tempo é a dimensão da energia básica do universo. Nessa dimensão existem forças , também estudadas pela Física de outro ponto de vista, como a gravitacional e a  magnética. Estas forças influenciam indiretamente  a vida humana, tanto a nível físico como mental
A Terra funciona como um imenso íman electromagnético em que os planetas do sistema solar e as mudanças no próprio planeta  Terra pelos movimentos que produzem,  alteram as condições de vida  dos seres humanos  em diversos níveis .
Os movimentos dos planetas e da Terra podem ser medidos : o movimento anual da Terra à volta da Eclíptica e o movimento diurno da Terra à volta do seu eixo– Equador-  podem ser medidos e determinarse de que modo as mudanças no campo eletromagnético  ou gravitacional da Terra  causados pelas estrelas distantes e pelos planetas afetam  os corpos e as mentes humanas.
O mesmo investigador considerou que existe um limite para a influência dos factores referidos na vida dos seres que habitam na Terra: apenas os planetas e as estrelas que se encontram  a 8 º de distância de ambos os lados da eclíptica, afetam as vidas dos seres humanos na Terra; todas as outras estrelas e planetas para lá deste limite são considerados demasiado distantes para afetar as nossas vidas e por isso estão fora do interesse  da Astrologia Védica (Jyotish).
No interior desta órbita definida encontramos o Zodíaco (Sideral) : os doze signos encontram-se localizados em 27 conjuntos de estrelas que recebem o nome de Nakshatras .  É sobre estes que se debruça a Astrologia Jyotish
No seu estudo , A jyotish recorre a um conjunto de fórmulas e equações matemáticas complexas, desenvolvidas na sua maioria há milhares de anos. Isto significa que, nos tempos atuais, a aprendizagem da Jyotish só é possível para pessoas com fraco domínio de conhecimentos matemáticos porque dispomos de software que faz  grande parte dos cálculos necessários, surgindo como importante ferramenta de trabalho do astrólogo.
Para além dos conhecimentos matemáticos, são ainda necessários conhecimentos de Astronomia e, preferencialmente  também, para melhor compreensão dos fatores relacionados com a energia, de Física. Dispomos de tabelas que facilitam o conhecimento da posição, velocidade, inclinação, etc. dos planetas e fenómenos celestes, mas sem todos esses conhecimentos não é possível elaborar uma carta astrológica.
Assim, a Astrologia nada tem a ver com «adivinhar»   ou «acreditar» no sentido cego e acrítico do termo: é uma ciência nos procedimentos   e na conceção,  no rigor e na precisão.
 
Mas, como em todas as ciências que lidam com a realidade, mais ainda a realidade humana , tem que haver uma interpretação e esta é em parte constituída com a leitura dos elementos quantitativos e em parte resultante das capacidades de compreender e integrar numa visão global as diversas partes da carta de modo a ligar cada parte da mesma num todo com sentido. 
Assim, fica claro que os Astrólogos não fazem magia:  o seu trabalho resulta de muito estudo dedicação  e vontade de compreender a realidade humana.

Jyotish e o Karma nos Relacionamentos

Os  relacionamentos são a  área privilegiada em que se desenrola o Karma humano, enraizado nos  desejos e nas emoções   que continuamente o alimentam e constituem.
Nas cartas astrológicas das pessoas que  mantêm relações de íntima proximidade existem muitas vezes ligações kármicas fortes que nos permitem dizer que muitos dos encontros que temos uns com os outros são, em grande medida, «predestinados». 
Cada um de nós parece ser atraído para pessoas   cujos fatores do «destino», nas suas próprias cartasse conjugam  com os nossos num entrelaçar criador de  uma dinâmica   própria que dá origem a  um certo tipo de relacionamento.
Por vezes, quando isso está indicado na nossa própria carta, esses relacionamentos são harmoniosos e causadores de felicidade mútua; outras vezes existem focos de tensão e de conflito que dão origem a  interações difíceis  mas em que  os parceiros envolvidos têm alguma «lição» para  aprender em conjunto. E, pelo menos  durante algum tempo (um trânsito longo, um período ou sub-período dasha)  as pessoas ficarão juntas. Noutros casos, a ligação dura toda a vida.
Nestas interações kármicas tanto encontramos relacionamentos amorosos como relações pais/filhos, irmãos, amigos, marido e mulher e estes são os relacionamentos da nossa vida que mais nos fazem crescer  e evoluir, nas áreas indicadas na nossa carta natal. 
Este tipo de experiências parece funcionar como um importante catalisador  do nosso crescimento  como seres humanos,  melhorando a nossa capacidade de compreender a realidade essencial.
O exemplo que apresentarei a seguir refere-se a duas pessoas que foram casadas durante  40 anos, numa dinâmica  em que os fatores mútuos do destino  se cruzaram, revelando, na sua interacção, um conjunto de áreas das suas vidas que foram, desse modo, conjuntamente ativadas e transformadas.
Dados  do horóscopo feminino: eixo do destino: Rahu em Capricórnio, Ketu em Caranguejo , Rahu na 4ª casa e Ketu na 10ª. Saturno em Aquário  na 5ª casa.  Saturno é o dispositor de Rahu e rege a 4ª e a 5ª casa acentuando desse modo o significado de Rahu. A lua, dispositor de Ketu, rege a 10ª casa.  Rahu é muito forte pois  é o regente do Nakshatra em que se encontra colocado. Saturno rege o Nakshatra onde se encontra Ketu o que reforça os significados do eixo  4ª/10ª casa.
O impacto destes fatores na  vida desta mulher mostrou uma clara tensão envolvida neste eixo pois viveu uma vida de dedicação à família, sem constituir carreira mas a frustração por não desenvolver esse lado da vida teve um preço  grande ao nível da sua felicidade pessoal. 
Dados do horóscopo masculino : Rahu encontra-se na 12ª casa , Ketu está na 6ª. Saturno encontra-se no próprio signo , conjunto com Marte, exaltado e regente do ascendente. Rege a 10ª e a 11ª casas.  Rahu está conjunto com o seu dispositor, Júpiter, que rege a 9ª e a 12ª casas  e com a lua. Mercúrio, dispositor de Keturege a 3ª e a 6ª casas. O regente do Nakshatra onde se encontra Rahu é Saturno o que reforça o poder deste planeta na condução do destino desta pessoa. Ketu está no Nakshatra regido pelo Sol
A presença do Sol, Marte exaltado e Saturno no próprio signo deram a esta pessoa a capacidade e determinação para se «fazer a si próprio» e ser bem sucedido na profissão.   A sua poderosa  10ªcasa  sobrepôs-se à da esposa, ativando o Ketu  colocado na 10º casa dela  e fazendo-a confinar-se  ao espaço  do seu Rahu natal- a 4ª casa do lar,  cumprindo-se assim  um dos  significados simbólicos de Ketu na 10ª casa, de perda de uma vida profissional e de reconhecimento público. 
Olhando para o cruzamento de aspetos entre  ambas as cartas,  encontramos os seguintes interaspetos: O Rahu dele está conjunto com o Sol/Mercúrio dela .  O Rahu dela está conjunto com o Sol dele.  
O Ketu dela está conjunto com Júpiter e Marte dele e o Saturno dela está conjunto com o Vénus dele.
Com indicadores tão poderosos não admira que estas duas pessoas tenham contribuído, ao longo do tempo que passaram juntas, para uma refundação das suas identidades e objetivos de vidaCom o   Ketu  dela associado com diversos planetas dele,(Ketu está  associado à perda material)  ele tornou-se  a personalidade dominante e dominadora nesta relação, ao ponto de a identidade dela se ter confundido muitas vezes com a identidade dele. Mas ela  também ativou os significados do Rahu natal dele na 12ª casa, ajudando-o a descobrir um sentido mais espiritual no conhecimento  de si mesmo e na visão da realidade.
 
 
A  associação entre o Saturno dela e o Vénus dele  criou simultaneamente um sentimento de obrigação e de dever  em relação a ele mas também possibilitou  o desenvolvimento de um sentimento de grande segurança e de confiança-  ele era a pessoa em  quem  ela podia confiar e a única com que sabia que  podia sempre contar.
   

O Destino na Carta de Nascimento – Dois Exemplos

Existem diversos indicadores do destino expressos na carta natal.  Mas convém lembrar que estes indicadores não têm a rigidez  de um destino determinado em sentido absoluto: os seres humanos são capazes de escolher e de decidir e de,com isso, alterar, pelo menos até certo ponto, esse «destino».
Na medida em que  um ser humano que  nasce neste mundo  é fruto de um conjunto de fatores que, globalmente, condicionam a sua existência, toda a carta natal exprime simbolicamente o «destino» de uma pessoa.
 Porém, há certos tipos de experiência que são indicados principalmente por Saturno e pelos nodos lunares- Rahu e Ketu-   e que nos permitem perceber quais as áreas da vida de uma pessoa que estarão no centro do Karma/destino que ela experienciará nesta existência. 
Os signos /casas ocupados por Saturno, Rahu e Ketu, o estado dos  planetas seus dispositores , as casas que estes regem e o Nakashatra em que se encontram são as chaves fundamentais para se compreender o foco do destino para cada existência.
Vejamos os seguintes exemplos: 
Carta feminina  os nodos Rahu e Ketu– estão  no eixo 10ª casa/4ªcasa. Este eixo significa a luta entre a tendência para manter os hábitos do passado (Ketu) assentes numa existência protegida, familiar, emocional, recolhida em relação ao mundo exterior e o que se lhe exige que desenvolva (Rahu) e que é sair  para fora de si mesma,  para o mundo social, profissional, em busca de reconhecimento que resulta do serviço prestado à comunidade.
O outro planeta do destino, Saturno, encontra-se na 1ª casa, mostrando uma existência marcada pelo sentido do dever, do assumir de responsabilidades
Quando olhamos para os dispositores dos signos onde se encontram os nodos e Saturno, bem como a sua posição  nos Nakshatras correspondentes, constatamos  que existe uma ênfase nas casas  1,4, 10, 2, 9.  Mercúrio  é o dispositor de Rahu e encontra-se  na 2ª casa, das aquisições e acumulação de riqueza. O caminho para a realização do propósito representado por Rahu implica assim o desenvolvimento de novas competências, conhecimentos, etc. 
Ao procurarmos o dispositor  de Mercúrio  verificamos que se trata de Saturno, regente da 2ªe da 3ª casas, o que acentua o significado referido. O dispositor de  Saturno, por sua vez, é Júpiter, relacionado com o conhecimento superior, os valores, Religião, Filosofia, etc,(9ª casa). Colocado em conjunção com Saturno na casa 1  ajuda a compreender que tipo de  aquisições e acumulação será privilegiado.  O facto de Júpiter ser também o dispositor de Ketu indica que esta pessoa continua um percurso  de desenvolvimento que não é inteiramente novo, ela apenas tem que aprender um novo uso para esse conhecimento que é inseparável do seu desenvolvimento pessoal
Vejamos agora uma carta masculina. Trata-se de uma carta com muitas indicações kármicas:  Rahu está conjunto com o planeta Vénus e Ketu está conjunto com o planeta Júpiter. Sempre que os nodos estão conjuntos com outro planeta assumem as suas qualidades, magnificando-as , neste caso qualidades positivas  pois trata-se dos dois maiores benéficos.  O eixo em que se encontra Rahu e Ketu é 12ª/6ª. 
  Este eixo indica a necessidade de abandonar alguns hábitos relacionados com  demasiado perfecionismo pessoal, excessivo criticismo em relação aos outros, mostra uma pessoa que desenvolveu anteriormente a capacidade de planear, pensar de forma sistemática e organizada, de tal modo que tem dificuldade em cooperar com outros por ser excessivamente crítica e por estar convencida de  que a sua forma de fazer as coisas é, à partida, sempre melhor do que as dos outros, o que gera conflitos  e inimizades
Rahu aponta para uma nova direcção, que passa por transformar o foco da sua vida descentrando-o em relação ao dualismo e perfeccionismo  pessoais e levando-a reorientar-se  em relação aos aspetos significados pela dupla conjunção de Rahu/Vénus e Ketu/Júpiter.  
A conjunção entre Ketu e Júpiter mostra uma pessoa no passado dedicada à aquisição  de  conhecimento ou a uma das áreas de Júpiter, Leis, Religião,Filosofia, etc. que lhe permitiram desenvolver uma mente analítica e discriminativa.   E agora  impulsiona a pessoa para crescer a nível emocional e afectivo- conjunção Rahu e Vénus–  pede que esta pessoa  desenvolva uma nova dimensão do seu ser através do estabelecimento de relações afetivas e/ou através da dedicação a alguma atividade venusiana: artes, entretenimento, etc. 
Ao  vivenciar esta dimensão,  a pessoa também encontra resposta para uma necessidade interior de transcendência  em relação aos objectivos  puramente materiais da vida. 
Um dos modos de atingir os objectivos pedidos por Rahu  na vida desta pessoa são as  experiências amorosas. Estas – que serão avassaladoras e muito compulsivas , obsessivas  e  intensas como é característico da relação com Rahu – serão um meio privilegiado desta pessoa descobrir o seu caminho de desenvolvimento espiritual.
 A colocação na 12ª casa  mostra que muito do  que esta pessoa viverá a este nível será mais emocional do que racional, muitas vezes será mesmo inconsciente e não percepcionado, a pessoa   sentirá dificuldade em racionalizar as suas experiências.
 E, finalmente, como acontece muitas vezes com os nodos, esta pessoa sofrerá  a perda  do objeto do seu desejo  (Ketu em oposição a Vénus) o que   lhe  ensinará que  os laços terrenos  são efémeros, o que, com o tempo, levará à  transformação do  carácter compulsivo nas ligações afetivas
 E é aí que o outro pólo representado por Ketu/Júpiter poderá exprimir o seu significado: Júpiter rege a 12ª casa e a sua ligação com Ketu permite o desenvolvimento de uma sabedoria  associada à compreensão espiritual da vida, conduzindo a um desprendimento relativamente ao mundo material. Neste caso, em que a pessoa já trazia consigo uma sabedoria  Jupiteriana anteriormente  construída,  esta nova sabedoria fica marcada pelos significados de Vénus: a afetividade e o amor que nos liga aos outros, a beleza do efémero, das artes, do lado prazenteiro da vida.   
As casas enfatizadas pelos diversos fatores do destino são a 12ª, a 6ª, a 5ª, a 1ª e a 2ª. O eixo Júpiter/Ketu  apresenta  simbolicamente a possibilidade de, pelo menos na fase madura, esta pessoa reorientar a sua vida de forma mais livre e menos compulsiva integrando os diversos níveis da  experiência , intelectuais e sensoriais,  numa perspectiva menos dualista.
A seguir falarei  da presença do destino na relação entre cartas natais…

Karma e Jyotish- Rahu e Ketu o Eixo do Destino

A  Astrologia Jyotish integra-se  num plano mais vasto  que lhe subjaz e que é a Filosofia Védica.
O Karma é entendido como uma lei cósmica, sem relação direta com conceitos religiosos mas que resulta da compreensão do ser humano e do Universo como realidades em que diversos níveis de energia vibratória se interpenetram:  assim, na dimensão mais superficial temos o corpo físico; mas num nível mais subtil e invisível temos aquilo a que a filosofia Védica chama  corpo causal
No corpo causal  ficam gravadas todas as impressões, positivas ou negativas, associadas a estados de consciência acompanhados de forte desejo e/ou conteúdo emocional.  
 Cada uma destas impressões contém a qualidade do estado de consciência que a produziu: se essa qualidade tiver sido positiva,(bondade, generosidade,etc) origina um karma positivo; se tiver sido negativa(sentimentos de ganância, rancor, etc) origina um Karma negativo. Assim,  temos  um Karma positivo e um Karma negativo.  Mas, um ou outro, ambos criam uma servidão que  nos prende interminavelmente ao ciclo do Karma. 
Segundo a Filosofia Védica, as impressões kármicas gravadas no corpo causal têm um tempo de vida, após o qual se libertam deste.  Assomam então novamente à consciência   reproduzindo o estado mental que as crioue caminhando dessa forma para a sua concretização no mundo da experiência.  Por sua vez, ao recriar-se na mente o estado anterior gera-se novo karma.
E é aqui que perguntamos: podemos libertar-nos do Karma fazendo boas acções?  E a resposta dos antigos sábios é não,fazendo boas acções apenas criamos karma positivo  que se concretizará no mundo em reacções positivas – se semearmos o bem, colhemos o bem.(a lei kármica é uma lei de proporcionalidade- cada acção produz um efeito exactamente proporcional e de qualidade semelhante). 
Mas é importante  a libertação do Karma? Os antigos sábios consideraram que sim, na medida em que toda a alma está destinada a libertar-se do jugo da matéria e das suas infinitas ilusões. 
 E como consegui-lo?  A solução apontada pelos sábios, e que tem por objectivo o desenvolvimento espiritual dos seres humanos é a prática da Meditação e da Yoga:  estas permitem o desenvolvimento de um estado de consciência a que estes chamaram equanimidade .  Este nada mais é do que  um estado interior de equilíbrio onde nada nosfalta e nada está em excesso; é um estado de profunda paz em que todos os pensamentos, palavras e sentimentos se aquietam  conduzindo a uma profunda harmonia connosco e com toda a realidade. 
Se, no momento de libertação das impressões kármicas, estivermos neste estado de consciência, então essas impressões libertam-se sem reproduziro ciclo fatídico gerador de novo karma. O resultado é o despertar interior espiritual.
Agora, como se revelam na Jyotish estes aspectos? Como se mostra esta dinâmica na nossa carta natal?
Sem prejuízo de outros factores relacionados, em especial o planeta Saturno, falarei hoje dos chamados «planetas sombra» – Rahu e Ketu são assim chamados porque não se trata de «corpos» no sentido físico mas de dois pontos, correspondentes à intersecção da órbita do sol e da lua  no seu movimento à volta da eclíptica.
 Na Mitologia Hindu, Rahu era um demónio que, querendo partilhar o privilégio da imortalidade com os deuses, se fez passar por um deles, roubando e bebendo o néctar divino da imortalidade. Surya  (o Sol) e Chandra ( a Lua) perceberam o estratagema e o resultado foi  que, de imediato, foi cortada a cabeça de Rahu mas era tarde, ele havia já bebido o néctar e por isso não morreu, apenas se separou em dois. Mas o néctar não passou da garganta de Rahu, pelo que só este é imortal: o restante corpo sem cabeça passou a designar-se Ketu e para sempre ambos se mantêm opostos um ao outro.
Mas  tal oposição configura também características diferentes de um e outro: Rahu, cuja mente foi separada do corpo, cria ilusões, ele  representa a entrada  da alma no mundo material e  coloca-nos sob o feitiço de desejos insaciáveis  na procura de múltiplos e contínuos prazeres, dos quais nos tornamos mais e mais dependentes.
Ketu,  um corpo sem mente, representa o conhecimento obtido fora da mente, por intuição, sendo símbolo da intuição espiritual que conduz à iluminação. Ketu retira-nos  dos objectos dados por Rahu, levando-nos, com essa perda, a despertar para a consciência das ilusões associadas com essa posse. Representa por isso o caminho de libertação do mundo material e das suas ilusões. 
Na sua complementaridade , Rahu e Ketu representam o processo de libertação final da alma em relação ao Karma. Rahu dá as coisas, mas sempre com um preço; Ketu tira-as mas permite, em troca,  o despertar da alma  e a evolução interior. 
Como a existência implica a materialização num corpo físico, Rahu simboliza , na carta natal, o destino para esta existência, aquilo que temos para experienciar neste mundo material  no espaço da nossa vida actual. 
Por seu lado, Ketu enraíza-se nas experiências anteriores de vida de cada um de nós, pois é a partir da libertação do karma anteriormente constituído  que podemos prosseguir na jornada do desenvolvimento;  só há libertação em relação ao que já vivemos no passado. 
Deste modo, Rahu e Ketu  representam o ciclo de nascimento e morte.
Com Rahu   emergimos no mundo material;
Com Ketu  libertamo-nos dele na cadeia dos ciclos da morte e renascimento.

Relacionamentos- o Papel de Júpiter e Saturno

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Júpiter e Saturno não são planetas pessoais pelo que a sua ação simbólica se refere à nossa interação com o tempoJúpiter relaciona-nos com o futuro; Saturno lembra-nos que o nosso presente está enraizado no passado e é fruto dele em muitos aspetos.

Júpiter representa a Sabedoria que vai mais além  que a mera compreensão lógica  para se tornar num guia de valores e princípios- religiosos e/ou filosóficos. 

É  o planeta da criatividade, tanto a que  nos impulsiona a gerar um filho como a que  se manifesta nas obras individuais  e artísticas, mas é também  a criatividade interior que se abre ao espírito positivo e à alegria de viver e que nos torna otimistas e capazes de ver o lado bom, generoso e positivo de todas as coisas e de todos os seres.
Qual Gilgamesh do mito sumério que, esmagado pela dor causada pela morte do selvagem  Enkidu, seu amigo, desceu aos abismos, à procura  da planta  da imortalidade para, desse modo, vencer a morte, Júpiter representa a generosidade inerente das forças da vida, a dádiva de si mesmo, a integração do animal e do espiritual, a aceitação das imperfeições humanas e o desejo da sua superação. Ele simboliza a graça divina que pode afastar todos os obstáculos e livrar-nos do mal.  É por isso considerado o «grande benéfico» o planeta da sorte no horóscopo natal.
Saturno possui uma natureza oposta à de Júpiter. Ele significa o passado que nos limita e condiciona, o espírito materializado na matéria. E, enquanto símbolo da matéria,  representa também a limitação desta que é a morte. O espírito que se expande com Júpiter contrai-se e cristaliza-se com Saturno. O destino dos seres materiais é a doença, a dor e todos os tipos de obstáculos que levarão, inevitavelmente tudo o que foi criado, à sua destruição.
Saturno mostra também que o mundo material está sujeito a um conjunto de leis que constituem uma causalidade- karma- e que toda a ação terá uma reação na mesma exata proporção.
Do mesmo modo que o espírito se materializa neste mundo físico,  também está destinado a superá-lo. Assim, este planeta não indica apenas a solidez da materialização, ele também aponta para a sua superação e, por isso,  representa a disciplina, o sentido do dever, a vida do asceta  e do eremita solitário. A morte traz consigo sempre a tristeza  e a solidão mas a vida renova-se incessantemente em novos ciclos.
Mas como na história de Gilgamesh, Saturno parece ter a vitória final. Ou não?
 A verdade é que a vida é um ciclo do qual a morte, como período de transição, é  também uma parte.
Júpiter e Saturno funcionam num par complementar e cíclico em que a vida e a morte se sucedem no grande ciclo cósmico da manifestação.
Na carta natal, Júpiter mostra quais as áreas da nossa vida em que podemos ser tocados pela sorte e pela proteção. Na  análise da compatibilidade  os aspetos de Júpiter para ambos os planetas pessoais dos parceiros – por exemplo o Júpiter de um estar em aspeto com a lua do outro e vice-versa- revelam um nível de entendimento muito profundo entre as pessoas, uma ligação protegida pela sorte e pela «graça divina». Estes aspetos de Júpiter são indicadores de uma grande harmonia na interação. Pelo menos um aspeto harmónico de Júpiter de um parceiro com um dos planetas pessoais do outro é muito desejável.
Os aspetos de  Saturno entre ambos os mapas – sobretudo as ligações entre Sol/Saturno ou Lua/Saturno – podem ser bastante pesados. É claro que  não se devem fazer juízos prévios  sem observar as cartas como um todo.
Os aspetos de Saturno  também podem revelar um grande nível de lealdade entre os parceiros, fidelidade, etc, suscitando um grande sentido de segurança e confiança entre ambos. Mas há sempre algum sentimento de restrição, de obrigação, que está envolvido. 
Júpiter é o afeto generoso , compassivo e gratuito. 
 Saturno é a fidelidade pelo sentimento do dever ou  do respeito pelos princípios que dá e espera a sua recompensa. Ele está aí para lembrar que o  gratuito é uma exceção, para cada ato, gesto ou sentimento há sempre uma compensação.

Compatibilidade – O Fator Idade e o Propósito de Vida

Tenho vindo a falar  da importância da  compatibilidade de energia entre as cartas natais dos parceiros como base essencial de uma relação duradoura.
Mas outros fatores também são importantes e podem sobrepor-se mesmo àqueles que mencionei no último exemplo. Este era um casal muito jovem, com  as normais expectativas  dessa idade em relação ao futuro e à sua relação – filhos, constituição de uma vida sólida em termos financeiros, carreira, dependência emocional mútua, etc. 
Mas e quando os parceiros são mais velhos ou, simplesmente, o seu modo de ser não «encaixa» no modelo tradicional  de relacionamento? Será que, mesmo assim, os fatores básicos de que falámos ainda se aplicam? 
E  há ainda outro fator que é necessário considerar: a Astrologia Jyotish  ensina que a  nossa existência se desenvolve por quatro propósitos de vida,  expressos  nas diversas casas do horóscopo:
 
 «Dharma»-  a vocação , a missão específica pela qual se orienta o desenvolvimento pessoal do self e da nossa identidade; 

«Artha»- a acumulação de recursos, riqueza, desenvolvimento de competências e conhecimentos que permitem  sustentar o nosso modo de vida;

«Kama»– a dimensão do desejo, que nos impulsiona e motiva em todos os nossos empreendimentos e acções, dando-nos coragem e energia para nos exprimirmos no mundo  e na relação com os outros;

 Moksha»- o desejo de salvação, a procura da espiritualidade que nos recorda que não somos meros seres materiais  mas somos também seres espirituais, ansiando pela harmonia interior de todas as nossas energias e pela sintonia entre o que somos e toda a realidade. 

Cada um de nós exprime de modos diferentes estes quatro propósitos,  eles são todos necessários mas, normalmente, um ou dois são preponderantes na nossa vida.
 
Assim, a harmonização entre os propósitos de vida é outro fator importante a considerar nos relacionamentos.
 
Imaginemos uma pessoa que, pelas energias do seu mapa, é levada a prosseguir essencialmente  objetivos «Artha» de procura e acumulação de riqueza.  E esta pessoa relaciona-se com uma outra cujas energias básicas natais a impelem para o propósito «Dharma», relacionado essencialmente com o crescimento e desenvolvimento da sua identidade pessoal. Cada uma cria dinâmicas de acção que, em alguns aspectos podem coincidir mas, em muitos outros, necessariamente irão chocar. O que cada uma quer da vida são coisas diferentes. Os seus caminhos de vida separam-se em muitos aspetos.  
 Ou o caso de uma pessoa que é levada a prosseguir  principalmente objetivos  «Moksha»: provavelmente não haverá qualquer sintonia entre ela e a pessoa que prossegue principalmente «objetivos «artha», que são opostos aos seus. 
O fator idade é outro aspeto fundamental . É  evidente que os planetas pessoais continuam a desenvolver funções importantes na interacção. 
Mas as necessidades e os objetivos de alguém com 45 ou 50 anos são muito diferentes dos de alguém com 25 ou 30.
 O desenvolvimento psicológico e espiritual  dos parceiros é também diferente  nas várias etapas da vida.  O que provocaria uma rotura na relação entre duas pessoas de 25 anos , apesar de existir afeto verdadeiro entre elas, poderia produzir apenas uma crise  superável  e fornecer possibilidades de crescimento mútuo numa relação entre pessoas mais velhas
Existe um potencial de crescimento  humano associado a  diferentes «notas vibratórias» da energia de Vénus, Marte,  Mercúrio e, muito especificamente também  à energia de Júpiter e Saturno que é mais facilmente desenvolvido em etapas da vida em que os parceiros construíram já uma identidade amadurecida e orientada por interesses e valores mais espirituais

E é por isso que a desarmonia entre as energias básicas  dos parceiros anteriormente descritas podem aqui revelar-se  como  menos importantes ou secundárias.

Pode a Astrologia Prever o Amor Verdadeiro?

 
A ciência , após desvendar muitos dos segredos do funcionamento do nosso cérebro responde imediatamente que sim, que o fenómeno da atração entre dois seres é  de natureza física e fisiológica na medida em que se trata da resposta do nosso cérebro e do nosso corpo às  energias de outra pessoa e vice-versa. Adianta mesmo que tal fenómeno consiste na libertação de certo tipo de substâncias químicas- hormonas e neurotransmissores-  que alteram a nossa fisiologia cerebral e produzem o estado vulgarmente conhecido como «estar apaixonado».
Por sua vez, um grande número de astrólogos dirá que, na medida em que um relacionamento é um campo energético de interação mútua bem conhecido e interpretado através dos símbolos astrológicos, a resposta sem dúvida que é sim. E essas energias são observáveis e quantificáveis, logo, explicáveis à luz desta sabedoria milenar.
Mas de que falamos quando nos referimos ao «amor verdadeiro»? (Ou amizade verdadeira?)
Estaremos a falar do mesmo que os intervenientes anteriormente referidos? Isto é, estamos a considerar sinónimo de «amor» o estar «apaixonado»? Estamos a falar do mesmo nível de relação ou de níveis diferentes?!
Na perspetiva científica o amor é fruto do amadurecimento das emoções  que, na  continuidade de uma relação, se vai cimentando em diversos fatores que são psicológicos, emocionais, físicos e sociais.
Mas  o conceito de «amor altruísta»  ou de «amizade altruísta» de que falam alguns filósofos caberá  nestas abordagens?
A ciência e a abordagem astrológica de que temos estado a falar-  existe na Astrologia Jyothish uma outra abordagem dos relacionamentos que vai mais além-  referem-se ao nível comum da maioria dos relacionamentos humanos que seguem o propósito de encontrar segurança e complementação na constituição de uma família e alcançar sucesso financeiro, profissional e afetivo.
Mas existem algumas exceções, alguns relacionamentos parecem escapar a este padrão básico  estabelecendo os seus níveis de relação para além das necessidades básicas do desejo de segurança e de apoio.  Para essas pessoas, parece ser mais importante dar do que receber, amar do que ser amado,  e os relacionamentos baseados nesse amor ou amizade altruísta não cabem na simples esfera dos chamados «planetas pessoais»- Sol, Lua, Marte, Vénus. Aqui intervêm outros fatores, compreensíveis a partir da intervenção das energias de Júpiter e Saturno, por um lado, e de outros fatores que, na Astrologia Jyotish fazem parte do sistema de «Nakshatras» (a abordar noutra altura) e de conceitos relacionados.
No universo, tudo é energia manifestada em inúmeras frequências de diferenciação. E o «verdadeiro amor»-aquele que não se extingue no fim da paixão porque sempre esteve para além dela- interpenetra as energias físicas mas não se reduz a elas. 
É por isso necessário determinar, em cada relacionamento, qual o  nível de expressão da interação.
Desafie-se!

Compatibilidade nos Relacionamentos #2

Um relacionamento é  uma interação entre os  campos de energia de duas pessoas: algumas  vezes, essas energias fluem e interpenetram-se mutuamente, gerando  bem estar e satisfação. As energias de cada um dos parceiros  revitaliza as energias do outro. 
Outras vezes  existe um bloqueio da energia de cada indivíduo porque o campo energético de um choca com o do outro, repelindo-se e gerando frustração. Neste caso só aparentemente existe relação porque não há um verdadeiro encontro entre as pessoas. Ambos permanecem inacessíveis à apreensão do outro.
Como se explica isto? 
Em termos muito básicos isso explica-se por dois fatores essenciais (existem outros mais finos, estudados pela Jyotish mas não cabem nesta abordagem): 1.os elementos dos signos onde se encontram o ascendente e os planetas de um e outro.  2.  os aspetos que formam entre eles na relação entre as cartas natais.
Se, por exemplo, tenho o meu Ascendente em Sagitário -elemento Fogo– e me relaciono com alguém cujo Ascendente é Touroelemento Terra– existe aqui uma dificuldade básica. Como o Ascendente se refere ao meu modo imediato e espontâneo de ser e de me  exprimir, com a tendência para ser exasperantemente franca, sem qualquer diplomacia, o meu entusiasmo pela aventura e o desconhecido, a minha  extroversão, chocam naturalmente com  a necessidade de estabilidade, reserva, cautela e ponderação  da pessoa de Touro que gosta de se agarrar a uma realidade estável e sem mudanças, gosta de saber com o que conta e detesta aventuras para o desconhecido. 
Mas imaginemos que o meu Sol está em Capricórnio elemento Terra– e que a Lua da pessoa está em Sagitário-elemento fogo. Isto significa que o meu Ascendente é estimulado diretamente pelas emoções e pela mente da outra pessoa e vice-versa, pelo que este outro aspeto compensa a diferença entre os ascendentes, ainda  mais sendo mútuo, pois o meu Sol em Capricórnio harmoniza-se muito bem com o Ascendente da pessoa em Touro, o meu Sol estimula a pessoa, vitalizando-a em termos gerais  e levando-a a identificar-se comigo, o que  possibilita uma grande aproximação entre ambos. As diferenças no modo de expressão continuam a existir mas torna-se possível uma  relação de profunda proximidade. 
Tratando-se de uma relação amorosa, será também fundamental que  Marte e Vénus de ambos estejam ligados por elemento e aspeto aos planetas pessoais de ambos: o meu Vénus em Sagitário-elemento Fogo– é naturalmente romântico, tipicamente movido pelo mito do «cavaleiro andante» mas também é cioso da sua liberdade e independência e detesta ser «dado como garantido». Imaginemos que o meu parceiro tem o seu  Vénus em Caranguejo. A sua maneira de expressar afeto , muito emocional e dependente, agarrado à necessidade de segurança de uma família estável  torna  muito difícil  uma harmonia afetiva entre nós  pois eu vou sentir-me sufocada pela excessiva dependência dessa pessoa a esse nível e provavelmente  vou desejar que ela me dê mais espaço e respeite a minha necessidade de liberdade. Por sua vez, essa pessoa vai sentir que eu não gosto verdadeiramente dela pois  não lhe dou o apoio emocional de que ela necessita.
Uma relação pode por isso ser perfeitamente satisfatória numa ou mais dimensões e não o ser noutras.
É possível as pessoas harmonizarem-se de forma fantástica a nível intelectual  e  serem excelentes amigas,  porque as energias representadas por Mercúrio,o Ascendente, o Sol  e a Lua  estão em perfeita sintonia   mas  permanecerem   perfeitamente desconhecidas uma para a outra a nível afetivo e sexual por  não haver harmonia  entre essa dimensão das suas energias. 
Para uma relação de negócios  ou de trabalho intelectual, ou uma relação de amizade, esse aspeto não é relevante mas a questão muda de figura quando se trata de um casamento que, supostamente, desejamos que seja para a vida.
Do mesmo modo é possível duas pessoas  terem uma sintonia muito grande a nível emocional e sexual, devido ao  intercâmbio positivo das  energias  simbolizadas por Vénus e Marte mas não conseguirem  manter a sua  relação  no tempo sem se desgastarem mutuamente  porque  a energia representada por Mercúrio, que rege o discurso e  a felicidade doméstica,  está em conflito.
O papel da  Astrologia é  esclarecer  e orientar sobre as áreas que poderão ser trabalhadas pelos indivíduos  a fim de melhorar o fluxo das energias mútuas na relação ou, perante uma relação demasiado desgastante,  permitir tomadas de decisão que melhorem o desenvolvimento e  as experiências da vida dos parceiros envolvidos.

Compatibilidade /Incompatibilidade nos Relacionamentos

Todos nós já experimentámos um sentimento de total empatia e proximidade ou, pelo contrário, de irreprimível aversão quando na presença de outra pessoa. Evidentemente que podemos recorrer à ciência para encontrar, no funcionamento do nosso cérebro, muitas explicações interessantes para essas nossas simpatias e antipatias, sobretudo quando ocorrem subitamente ao primeiro olhar e no primeiro encontro…
Mas os relacionamentos têm muitas outras facetas, desenvolvidas no contexto de todas as experiências que duas pessoas partilham quando desenvolvem uma ligação, seja ela baseada no amor, na amizade ou na cooperação num projecto profissional comum.
E é aqui que a Astrologia se torna decisiva, na aplicação da sua longa experiência, na análise e compreensão das energias que se desenvolvem e atuam nos relacionamentos humanos.
Os signos, o ascendente, os «aspetos» entre os signos, os planetas e as casas do horóscopo, nas relações que estabelecem entre si, simbolizam as múltiplas trocas de energia que atuam sempre que trabalhamos com alguém num projecto ou negócio comum, nos tornamos amigos de alguém de quem gostamos porque sentimos ser «semelhante a nós» ou quando, em irreprimível excitação, sentimos que encontrámos o amor da nossa vida.
 
Umas vezes essas energias fluem harmoniosamente, gerando bem estar e felicidade, outras vezes bloqueiam-se em difíceis nós de compressão, gerando mal estar, angústia e infelicidade. 
A Astrologia define, de modo geral, que estes e aqueles signos são compatíveis ou incompatíveis entre si. Que estes e aqueles «aspetos» no relacionamento dos planetas/signos/casas do horóscopo são facilitadores da harmonia ou, pelo contrário, seus bloqueadores.
Mas cada pessoa é expressão de um conjunto muito complexo de diferentes tipos e modos de expressão dessas energias. Desse modo, é simplista dizer, à partida que, se não consigo estabelecer uma relação harmoniosa com uma certa pessoa, é porque os nossos signos não combinam…
Na verdade, é necessário efectuar um estudo completo de todas as energias atuantes no relacionamento para compreender quais delas causam fricção ou dificuldades e quais poderão ser utilizadas para compensar as que funcionam menos bem. Um só fator é insuficiente para explicar o modo da relação e as suas interacções.
À partida, um relacionamento no qual existe uma combinação global harmoniosa das energias dos parceiros, é mais fácil de manter do que um que tenha que lutar continuamente com a tendência para bloquear e desagregar. 
Mas mesmo os relacionamentos desafiadores poderão ter um desenvolvimento positivo se os intervenientes quiserem apostar no crescimento mútuo e na melhoria conjunta das suas formas de expressão no relacionamento. E neste ponto a Astrologia pode esclarecer e dar a ver os pontos fortes e fracos para ajudar a decidir quando e se vale a pena investir num certo relacionamento.
 

Nos próximos dias analisarei as diversas energias presentes nos relacionamentos e o modo como interatuam.

Pode a Astrologia Orientar a Nossa Vida?

Vivemos numa época dominada pela ideia de que a nossa vida é fruto do mero acaso e de circunstâncias fortuitas e que, por isso, a Astrologia  e as suas previsões não passam de superstição. Muitas vezes pensamos mesmo que  «acreditar» na Astrologia é revelarmos a nossa falta de conhecimento ou instrução. Muitos de nós receamos dizer em público que «acreditamos» na Astrologia, embora não resistamos a espreitar as previsões e as características dos signos publicadas nos meios de comunicação social.
Significa isso que nós, seres humanos, temos uma  curiosidade irresistível para conhecer «o que nos espera»  mas que a Astrologia, ao prever circunstâncias do nosso futuro, é uma mera ilusão?
O desejo de prever para ajudar a conhecer, a controlar e a prevenir acontecimentos futuros, está na base de todo o trabalho que se faz em ciência. Com o seu método e as suas teorias, a ciência procura melhorar as nossas vidas, prevendo e controlando os eventos e as circunstâncias que envolvem muitas áreas da nossa vida.
Na base da Astrologia Jyotish está um esforço que dura desde há milénios, para conhecer e dominar técnicas de previsão que são, não meramente especulativas ou «adivinhações» mas instrumentos científicos quantitativos e qualitativos para prever de forma rigorosa eventos e circunstâncias da nossa vida.
Quando nascemos, somos fruto de um conjunto de forças e energias cósmicas em actuação nesse momento. A nossa vida é por isso determinada por essa matriz complexa. É tarefa da Astrologia e, muito especialmente , da Jyotish, esclarecer esse mapa intrincado de interações que constitui as nossas «promessas natais» para nos ajudar a tirar partido dos nossos pontos fortes e nos ajudar a controlar os nossos pontos fracos, ajudando-nos a desenvolver o nosso potencial.
É também tarefa da Jyotish mostrar como se desenrola no tempo (o nosso futuro) esse conjunto de características presentes no nosso mapa natal  e como podemos tirar partido das assinaturas específicas que constituem o nosso «destino». Pois todos nós nascemos com um conjunto específico de «assinaturas» (chamados yogas) e cada uma tem o seu tempo próprio de frutificação, para o bem e para o mal.
 Fica  assim claro o papel muito positivo que a a Astrologia Jyotish pode ter na melhoria das nossas vidas e no nosso desenvolvimento pessoal.